A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

“A Agenda 2030 é a nossa Declaração Global de Interdependência.”
António Guterres, Secretário Geral da ONU

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Em setembro de 2015, representantes dos 193 Estados-membros da ONU se reuniram em Nova York e reconheceram que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.

Ao adotarem o documento “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” (A/70/L.1), os países comprometeram-se a tomar medidas ousadas e transformadoras para promover o desenvolvimento sustentável nos próximos 15 anos sem deixar ninguém para trás.

A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal. O plano indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta. São objetivos e metas claras, para que todos os países adotem de acordo com suas próprias prioridades e atuem no espírito de uma parceria global que orienta as escolhas necessárias para melhorar a vida das pessoas, agora e no futuro.

Este é um plano para governos, sociedade, empresas, academia e para você.

Em 2023, o Brasil foi além e criou, de forma voluntária, o ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial, que coloca o combate ao racismo no centro da Agenda 2030 no país. Saiba mais abaixo.

Entenda a Agenda 2030 em vídeo

Vídeo: “O que é a Agenda 2030?” – ONU Brasil

Mas, afinal, como chegamos a esta agenda global de desenvolvimento?

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que ficou conhecida como Rio 92, reuniu mais de 100 chefes de Estado na cidade do Rio de Janeiro, em 1992, para discutir como garantir às gerações futuras o direito ao desenvolvimento. Na Declaração do Rio sobre Meio Ambiente, os países concordaram com a promoção do desenvolvimento sustentável, com foco nos seres humanos e na proteção do meio ambiente como partes fundamentais desse processo.

E adotaram a Agenda 21, a primeira carta de intenções para promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI.

20 anos depois, 193 delegações, além de representantes da sociedade civil, voltariam à cidade do Rio de Janeiro para renovar o compromisso global com o desenvolvimento sustentável. O objetivo da Rio+20 era avaliar o progresso obtido até então e as lacunas remanescentes na implementação dos resultados das cúpulas anteriores, abordando novos emergentes desafíos. O foco das discussões da Conferência era, principalmente: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável.

A Declaração Final da Conferência Rio+20, o documento “O Futuro que Queremos”, reconheceu que a formulação de metas poderia ser útil para o lançamento de uma ação global coerente e focada no desenvolvimento sustentável. Assim, foi lançada as bases de um processo intergovernamental abrangente e transparente, aberto a todas as partes interessadas, para a promoção de objetivos para o desenvolvimento sustentável. Essa orientação guiou as ações da comunidade internacional nos três anos seguintes e deu início ao processo de consulta global para a construção de um conjunto de objetivos universais de desenvolvimento sustentável para além de 2015.

Aprendendo com os Objetivos do Milênio (ODM)

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) emergiram de uma série de cúpulas multilaterais realizadas durante os anos 1990 sobre o desenvolvimento humano. O processo de construção dos ODM contou com especialistas renomados e esteve focado, principalmente, na redução da extrema pobreza. A Declaração do Milênio e os ODM foram adotados pelos Estados-membros da ONU em 2000 e impulsionaram os países a enfrentarem os principais desafios sociais no início do século XXI.

Os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)

Esses oito Objetivos foram o primeiro arcabouço global de políticas para o desenvolvimento e contribuíram para orientar a ação dos governos nos níveis internacional, nacional e local por 15 anos. Os ODMs reconheceram a urgência de combater a pobreza e demais privações generalizadas, tornando o tema uma prioridade na agenda internacional de desenvolvimento.

Em 2010, a Cúpula das Nações Unidas sobre os Objetivos do Milênio demandou a aceleração na implementação dos Objetivos. Além disso, solicitou ao então Secretário-Geral da Nações Unidas, Ban Ki-moon, elaborar recomendações sobre os próximos passos após 2015. Com o suporte do Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas, o Secretário-Geral lançou um processo de consultas com várias partes interessadas e/ou impactadas para discutir uma nova agenda de desenvolvimento.

Os resultados das consultas foram sintetizados e apresentados no primeiro relatório dedicado à futura agenda, “Uma Vida Digna para Todos”:

Uma nova era pós-2015 exige uma nova visão e uma estrutura responsiva. O desenvolvimento sustentável – impulsionado pela integração do crescimento econômico, justiça social e sustentabilidade ambiental – deve se tornar o nosso princípio orientador e procedimento operacional padrão.

O processo de construção de uma agenda pós-2015

Processo de construção da agenda pós-2015

Após a Rio+20, um amplo e inclusivo sistema de consulta foi empreendido sobre questões de interesse global que poderiam compor a nova agenda de desenvolvimento pós-2015. Diferentemente do processo dos ODMs, os novos objetivos de desenvolvimento sustentável foram construídos a muitas mãos.

O Grupo de Trabalho Aberto para a elaboração dos ODS (GTA-ODS) estava encarregado da elaboração de uma proposta para os ODS. Composto por 70 países, contou com o envolvimento das mais diversas partes interessadas: desde contribuições especializadas da sociedade civil, até contribuições da comunidade científica e do sistema das Nações Unidas. O objetivo era proporcionar uma diversidade de perspectivas e experiências.

Em agosto de 2014, o GTA-ODS compilou os aportes recebidos, finalizou o texto e submeteu a proposta dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e das 169 metas associadas à apreciação da Assembleia Geral da ONU em 2015.

A Agenda 2030: Um plano de ação global para um 2030 sustentável

O documento adotado na Assembleia Geral da ONU em 2015, “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, é um guia para as ações da comunidade internacional nos próximos anos. E é também um plano de ação para todas as pessoas e o planeta que foi coletivamente criado para colocar o mundo em um caminho mais sustentável e resiliente até 2030.

Os 17 ODS

A Agenda 2030 consiste em uma Declaração, em um quadro de resultados – os 17 ODS e suas 169 metas, em uma seção sobre meios de implementação e de parcerias globais, bem como de um roteiro para acompanhamento e revisão. Os ODS são o núcleo da Agenda e deverão ser alcançados até o ano 2030.

Os 17 Objetivos são integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. São como uma lista de tarefas a serem cumpridas pelos governos, a sociedade civil, o setor privado e todos cidadãos na jornada coletiva para um 2030 sustentável. Nos próximos anos de implementação da Agenda 2030, os ODS e suas metas irão estimular e apoiar ações em áreas de importância crucial para a humanidade: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias.

Ao combinar os processos dos Objetivos do Milênio e os processos resultantes da Rio+20, a Agenda 2030 e os ODS inauguram uma nova fase para o desenvolvimento dos países, que busca integrar por completo todos os componentes do desenvolvimento sustentável e engajar todos os países na construção do futuro que queremos.

A Agenda 2030 em 2026: onde estamos

Em 2026, faltando menos de cinco anos para o prazo final, os relatórios internacionais mostram avanços importantes, mas um ritmo ainda insuficiente para cumprir a Agenda 2030:

  • Das 139 metas com dados disponíveis, apenas 36% estão no caminho certo ou com progresso moderado; 49% avançam muito lentamente e 15% regrediram a níveis inferiores aos de 2015 (Relatório dos ODS 2026, ONU).
  • Cerca de uma em cada dez pessoas no mundo ainda vive em pobreza extrema e aproximadamente 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave.
  • Nenhuma das metas de igualdade de gênero (ODS 5) está no caminho certo.
  • Por outro lado, desde 2015 quase 1 bilhão de pessoas passaram a ter acesso à água potável segura e 1,2 bilhão ao saneamento; a eletricidade já chega a 92% da população mundial e o acesso à internet saltou de 40% para 74%.
  • Pela metodologia do Relatório de Desenvolvimento Sustentável 2026 (SDSN), apenas 16% das metas devem ser alcançadas até 2030. A Finlândia lidera o Índice ODS e o Brasil ocupa a 53ª posição.

A mensagem das Nações Unidas é clara: é preciso um esforço final decisivo — de governos, empresas, sociedade civil, academia e de cada pessoa — para cumprir os compromissos assumidos em 2015.

Fontes: Relatório dos ODS 2026 – ONU Brasil; Sustainable Development Report 2026 – SDSN. Dados atualizados em setembro de 2026.

ODS 18: Igualdade Étnico-Racial

ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial

Em setembro de 2023, na abertura da Assembleia Geral da ONU, o Brasil anunciou a criação voluntária de um novo objetivo: o ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial. Aprovado pela Comissão Nacional para os ODS (CNODS) em dezembro de 2023, ele coloca o enfrentamento ao racismo como dimensão central da Agenda 2030 no país.

O ODS 18 busca eliminar o racismo e a discriminação étnico-racial contra povos indígenas, afrodescendentes e outros grupos afetados por múltiplas formas de discriminação. Está organizado em 10 metas, que tratam de: combate ao racismo e à discriminação; fim das violências; tratamento justo no sistema de justiça; representatividade; reparação; moradia adequada; saúde; educação de qualidade; reconhecimento dos saberes tradicionais; e combate à xenofobia.

A marca oficial, escolhida por votação popular em 2024, foi criada pela estudante de design Brenda Gomes Virgens e traz o perfil de uma mulher negra com a figura de um homem indígena nos cabelos — símbolo de que a luta pela igualdade étnico-racial é uma jornada coletiva.

O ODS 18 é coordenado pelo Ministério da Igualdade Racial. Saiba mais em ods.igualdaderacial.gov.br.

Os 17 ODS, suas 169 metas e o ODS 18

Para saber mais sobre cada um dos ODS, clique: